domingo, 27 de fevereiro de 2011

quanto tempo?

Uma vez disse aqui a seguinte frase: "A lembrança é o único inferno ao qual fomos condenados em inocência." (do filme Nouvelle vague). Não consigo pensar em outra frase mais direta e verdadeira para o que senti nos últimos meses. Nada dói mais do que a lembrança... Coisas que eu nem sabia que ainda estavam na minha cabeça, mas estão; tão bem guardadas, ficam à espreita e voltam quase todas as noites para me assombrar. É nesse momento que tudo é mais terrível. Na solidão do quarto, da cama vazia. Quando não há nada além desse passar lento de horas, de noite após noite de insônia.
Discordo de quem diz que nós podemos escolher o que fica em nós e o que deixamos para lá. Como? Seria tão fácil, tão bom... É nesse ponto que trabalham todos os terapistas, não? Eles buscam explicações para todas as obsessões, depressões, desilusões e todos os outros 'ões' que aparecem em seus consultórios. Então oferecem suas explicações e perguntam se os pacientes não acham que é isso que está acontecendo ou se seu inconsciente isso, seu inconsciente aquilo. É aqui que eu pergunto: e daí? Tudo que nós queremos é parar de sentir o que sentimos, parar de agir como agimos, parar de pensar como pensamos. E como se faz isso? Talvez a grande ajuda seja apenas ouvir, e ouvir... Sobre os mesmo assuntos sempre e de novo e de novo. Até que o poço seque e a vez daquele problema passe.
Quanto tempo meu poço vai demorar pra secar?

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

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"Não há castigo infinito. Não há dor infinita. Um dia a gente termina para começar, começa para terminar, refaz o percurso como se nada tivesse acontecido antes. "
(Carpinejar)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Ozzy Osbourne

"Normalmente eu odeio o Natal. Quer dizer, quando se é alcoólatra e está bebendo, o Natal é a melhor coisa do mundo. Mas se não está bebendo, é uma merda de uma agonia. E odeio ter que comprar presentes para todos. Não porque sou mão de vaca - só porque é obrigatório. Tudo sempre me pareceu uma bosta."

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Pura verdade

"A lembrança é o único inferno ao qual fomos condenados em inocência."

sábado, 18 de dezembro de 2010

Eu sou Alice

"é amor o que existe dentro de mim. Comecei sendo ousada demais, queria amor demais, e acreditei que tudo tinha sido culpa minha, causa de tudo que aconteceu depois..."

Continuo a frase que a autora de Eu sou Alice começou a escrever e fez com que eu me identificasse tanto. Pois parece que é de mim que ela fala. Alguém que começou ousada demais, com uma sede de liberdade constante; E que hoje, depois de ter passado por tantas coisas, mudou um pouco as atitudes, a cabeça, o coração. Admito, eu ainda acredito que seja culpa minha. Até o que parece estar além do meu alcance. Tem de ser culpa minha. Pois se não, por que aconteceria logo comigo? Por que não com outro alguém? E ao mesmo tempo me sinto tão egoísta de pensar assim. O que de tão grave me trouxe essa insegurança, essa desilusão? Às vezes o que aconteceu me parece tão banal. Tão pouco. E outras vezes parece tanto, uma verdadeira destruição de tudo em que eu acreditava. Por isso acho que o erro foi meu; em ser sincera, em acreditar; em pensar demais e agir como se pensasse de menos. Já não sei o que pesa mais, o perdão que eu ainda não dei, a raiva, o desprezo por pessoas tão mesquinhas e egoístas que eu ainda custo a acreditar que tudo que aconteceu seja verdade. A incerteza, o não saber se o que foi realmente alguma vez foi sincero. E esses pensamentos desconexos não saem... Li uma vez que nós escolhemos as lembranças que queremos guardar. Não acho que seja verdade. Do contrário eu não me atormentaria tanto tentando entender. Simplesmente, esqueceria.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

de novo

um mês e 15 dias.
Contando assim parece pouco, mas os dias se tornaram tão absurdamente longos sem você. Sem querer me pego pensando em você, em nós, em tudo que aconteceu e que poderia ter acontecido, na decepçao que sofri. De novo, de novo e de novo. Não passa nunca...
E ao mesmo tempo você não merece nem uma lembrança de carinho. Pra quê? Se elas foram envenenadas pelo seu próprio criador. Melhor não lembrar. Mas será que consigo simplesmente fechar tudo em uma caixinha e deixar para examinar depois? Seria tão simples. Enterrar tudo. Os momentos bons, os ruins; as sensações, a confiança, a perda dela. E só abrir daqui a muito, muito tempo.
Parece que você conseguiu fazer isso. Tão rápido, tão fácil. O que só confirma que na sua vida fui só uma substituta. Uma pena, pois enquanto você preferia outra, eu não queria estar com mais ninguém a não ser você. Eu não me vejo com mais ninguém a não ser você.

domingo, 7 de novembro de 2010

e não passa nunca...

"Fico cabisbaixo, sem vida e me dou por vencido, deixo você fazer a festa em minhas memórias. No entanto sobra um gosto revoltado pois a vida não pode ser só isso, deve ser plena, ampla, setembro sempre entrando. Acho desastroso quando fazemos da existência uma novelinha encantada. Detesto lamúrias-auto-cêntricas. Viver está mais pra ser grandioso, deve ultrapassar nossa própria imensidão, precisa ter algo que vá além da gente.

E eis-me aqui, sendo aquilo que eu mais desprezo. Entrego-me a essa autoflagelação e dou a luz a uma imensa pena de mim mesmo, alimentando as pequenas dorzinhas e pra quê? Puro narcisismo. Pura e doce mel-ancolia. Só que dentro de minha confusão, a ternura não cede, invade-me de novo. Tenho um olho atravessado pelo detalhe do sublime.

Tenho repetido que, no que depender de mim, sempre existirá doçura para ti.
Sinto saudade é claro, principalmente das pequenas coisas, aquelas que só temos consciência da grandeza e da importância depois de vividas. Coisas simples como te encontrar e perguntar como foi o seu dia ou se podemos levar peixes dourados para terras distantes. Queria te dizer coisas simples e bonitas, coisas que te mostrassem o quanto você continua importante, o quanto te guardo com carinho em muito de meus dias, coisas desse tipo, que talvez você compreenda como um abraço, ou talvez como uma mentira. Tanto faz.

Nada me toca e nada me define. Fico nesse espaço do não pertencer e apenas me sinto em casa em alguma lembrança onde você esteja fazendo descontrolada uma imensurável desordem com pequenos movimentos que me dá conforto, que me traz esse aconchego que não me lembro muito bem se é uma invenção de meu desejo ou uma proteção contra essa vida que hoje tenho com quinas por todos os lados. Sem você, acabei assim, num quarto cheio de coisas espalhadas pelo chão, uma parede descascando, onde tudo que me toca também me machuca. Às vezes acho que não poderei agüentar e sinto uma vontade afogada de entrar na primeira coisa que se move e me deixar levar para sempre. (...)
Tenho uma saudade louca, dessas que parecem que terminamos apenas ontem. Vontade louca de te buscar e estender meus braços dizendo está tudo bem."

do blog: http://vemcaluisa.blogspot.com/